Mestranda Taciane Cristina Santana
Mestrado em Educação – UNIUBEAutoras:Marli Eliza Dalmazo Afonso de André – PUC – SP
Márcia de Souza Hobold – UNIVILLE
Neusa Banhara Ambroseti – UNITAU
Patrícia Cristina Albieri de Almeida – UNICAMP
(artigo apresentado na Anped 2010)
O objeto de estudo do presente artigo refere-se aos saberes e o trabalho docente do professor dos cursos de licenciatura de quatro universidades da região Sul e Sudeste, num contexto de reformas educativas e de mudanças no mundo contemporâneo.
O objetivo geral do estudo foi conhecer o perfil do docente formador dos cursos de licenciatura, conhecer o trabalho docente e quais as condições de que dispõe para desenvolver esse trabalho.
Enquanto metodologia trata-se de uma pesquisa qualitativa, com delineamento de quatro estudos de caso: quatro universidades (uma pública, uma privada e duas comunitárias) escolhidas a partir da possibilidade de acesso aos dados necessários e que oferecessem cursos de licenciatura.
Para atingir os objetivos da pesquisa foram realizadas entrevistas (53 professores das disciplinas específicas ou pedagógicas), análise documental (análise dos projetos político pedagógico das instituições e entrevistas com os docentes diretamente envolvidos na elaboração ou implementação desses projetos) e também observações. Procurou-se entrevistar pelo menos 30% dos docentes que atuavam na licenciatura de cada instituição, contemplando, quando possível, docentes com formação em diversas áreas de conhecimento.
As autoras realizam uma contextualização das instituições e a caracterização das mesmas, em seguida descrevem o perfil dos docentes da pesquisa e o que eles dizem sobre seus saberes e por fim caracterizam de acordo com a coleta de dados as condições de trabalho nas instituições pesquisadas.
Em suma, o texto retrata as mudanças de identidade (valores, saberes, comportamentos), que constituem referências essenciais no trabalho dos formadores, diante das transformações na sociedade contemporânea. As autoras ainda colocam que “as contradições entre as concepções de formação construídas em sua trajetória profissional e as condições concretas de exercício da docência nas instituições formadoras, afeta a identidade profissional dos docentes, gerando insatisfação e desconforto pelo não cumprimento de seu mandato de formador”. Diante dessas afirmações as autoras concluem que “estamos diante de uma crise das identidades dos formadores, que se articula a uma crise nos modelos de formação dos professores”.
As autoras utilizam como referencial teórico Tardif (2002) para fundamentar suas análises. De acordo com o autor “o saber do professor é plural, compósito, heterogêneo, porque envolve, no próprio exercício do trabalho, conhecimentos e um saber-fazer bastante diversos, provenientes de fontes variadas, e provavelmente, de natureza diferente”. O autor ainda coloca que “o saber do professor é profundamente social e é, ao mesmo tempo, o saber dos atores individuais que o possuem e o incorporam à sua prática profissional, para a ela adaptá-lo e tranformá-lo”. E ainda “que o saber do professor está sempre ligado a uma situação de trabalho com outros (alunos, colegas, pais, etc.), um saber ancorado numa tarefa complexa (ensinar), situado num espaço de trabalho (a sala de aula, a escola), enraizado numa instituição e numa sociedade”.
Diante dessas afirmações as autoras justificam a necessidade de levar em conta múltiplas dimensões quando se retrata o tema saberes docentes.
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